sábado, 25 de abril de 2009

Como Manter um Blog

Faz um tempo decidi voltar a escrever.

A partir do momento no qual se começa a fazer um curso de Letras em uma grande faculdade, analisando grandes autores e dispendiando de um grande tempo para os estudos lingüísticos, poéticos, textuais e et caetera, passa a haver uma grande lacuna entre o que se estuda e o que se produz de fato. Ou seja... Passa-se do estado de autor para o estado de crítico, o que é uma grande cachorrada, diga-se de passagem.

E eis que fomos todos alertados desse feito. Entre risos degradados dos professores e concordatas dos estudantes, ficou unanimamente decidido: daqui não sai autor.

Anyways... Que mágico é contrariar o fluxo premente das coisas!

sábado, 11 de abril de 2009

O homem côxo


O homem côxo
Apóia-se por sobre as coxas
Em sua realidade moxa

E a brevidade das horas
segue
entrecortando-se
entre lascas e fragmentos de intenção

E assim se faz o caminho
por entre os nós dessas ruas
feitas de sonho e de desespero

março/2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Auto-Respeito

Descobri que o auto-respeito, ao invés de arrogante, é convictamente sereno.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Drummond: Passagem da Noite

É noite.
Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim,
o grito
se calou,
fez-se desânimo.

Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos!

Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!

2009

Este ano será regido pelo sol. Aliás, será uma dupla regência: uma pelo ciclo, que vai de 1981 a 2016 e outra pelo próprio regente do ano.

O sol é aquele que comanda o coração e simboliza a consciência.

Numerologicamente, 2009, 2+0+0+9, dá 11.

Onze é um dos números mais fodásticos da numerologia pitagórica. É um número mestre.

Ou seja... Para quem entrou esse ano em conflito existencial... Se terminar o ano do mesmo jeito, meu filho, é melhor instalar uma banheira de sal grosso com ervas aromáticas no lugar do seu colchão de todas as noites, ler o despacho latino diariamente, comandar uma faxina homérica nas entranhas e apelar para as pirâmides. Porque se depender da influência astral... Reza braba maior não servirá do que a mandinga positiva de 2009.

Fica minha profecia:

Aproveita o trem enquanto ele aporta.
Segura as portas caso ele ameace sair.
Enfia-te pela janela caso ele esteja partindo...

Ou

Tenha mais classe e elegância e espere o próximo comboio.

Há sempre uma segunda chance na vida, meu amor.
Constatações astrais às vezes me desesperam.
Tua força-motriz é o que realmente importa.

A propósito...

O sol também queima.

E dá câncer de pele.

Dinheiro e Arte

Existem alguns conceitos cristalizados na mente comum do homem brasileiro.

Ousaria dizer até que se trata da mente comum do homem latino-americano. Ou ainda do homem deste planeta. Mas não tenho referências confiáveis para esta constatação.

O que interessa é que um caminho, um atalho, uma solução mais inteligente, pode ser visto como um desvio crasso de rota e isso é tão injusto!

Um artista que procura uma fonte de renda fixa para manter-se, embora não abdique do seu objetivo máximo, que é expressar seus talentos e comunicar-se através da arte, pode também trabalhar em uma instituição financeira que o remunera decentemente e que, além de tudo, ocupa apenas trinta horas de sua semana?

Adaptar-se à essa realidade é um desafio. É ir contra a maré. É declarar-se um não-hippie desapegado e um não-capitalista desenfreado.

É o caminho do meio.

Por que temos de ser sempre tão radicais?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Da necessidade de se botar culpa e da necessidade de se culpar

Quanto à diferenciação dos termos...

Quanto mais sacrossanta se parece a culpa, mais sacrossanto se parece o imaculado. Quando a culpa é nossa?