Faz um tempo decidi voltar a escrever.
A partir do momento no qual se começa a fazer um curso de Letras em uma grande faculdade, analisando grandes autores e dispendiando de um grande tempo para os estudos lingüísticos, poéticos, textuais e et caetera, passa a haver uma grande lacuna entre o que se estuda e o que se produz de fato. Ou seja... Passa-se do estado de autor para o estado de crítico, o que é uma grande cachorrada, diga-se de passagem.
E eis que fomos todos alertados desse feito. Entre risos degradados dos professores e concordatas dos estudantes, ficou unanimamente decidido: daqui não sai autor.
Anyways... Que mágico é contrariar o fluxo premente das coisas!
sábado, 25 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
O homem côxo
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
Drummond: Passagem da Noite
É noite.
Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim,
o grito
se calou,
fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.
Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos!
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim,
o grito
se calou,
fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.
Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos!
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
2009
Este ano será regido pelo sol. Aliás, será uma dupla regência: uma pelo ciclo, que vai de 1981 a 2016 e outra pelo próprio regente do ano.
O sol é aquele que comanda o coração e simboliza a consciência.
Numerologicamente, 2009, 2+0+0+9, dá 11.
Onze é um dos números mais fodásticos da numerologia pitagórica. É um número mestre.
Ou seja... Para quem entrou esse ano em conflito existencial... Se terminar o ano do mesmo jeito, meu filho, é melhor instalar uma banheira de sal grosso com ervas aromáticas no lugar do seu colchão de todas as noites, ler o despacho latino diariamente, comandar uma faxina homérica nas entranhas e apelar para as pirâmides. Porque se depender da influência astral... Reza braba maior não servirá do que a mandinga positiva de 2009.
Fica minha profecia:
Aproveita o trem enquanto ele aporta.
Segura as portas caso ele ameace sair.
Enfia-te pela janela caso ele esteja partindo...
Ou
Tenha mais classe e elegância e espere o próximo comboio.
Há sempre uma segunda chance na vida, meu amor.
Constatações astrais às vezes me desesperam.
Tua força-motriz é o que realmente importa.
A propósito...
O sol também queima.
E dá câncer de pele.
O sol é aquele que comanda o coração e simboliza a consciência.
Numerologicamente, 2009, 2+0+0+9, dá 11.
Onze é um dos números mais fodásticos da numerologia pitagórica. É um número mestre.
Ou seja... Para quem entrou esse ano em conflito existencial... Se terminar o ano do mesmo jeito, meu filho, é melhor instalar uma banheira de sal grosso com ervas aromáticas no lugar do seu colchão de todas as noites, ler o despacho latino diariamente, comandar uma faxina homérica nas entranhas e apelar para as pirâmides. Porque se depender da influência astral... Reza braba maior não servirá do que a mandinga positiva de 2009.
Fica minha profecia:
Aproveita o trem enquanto ele aporta.
Segura as portas caso ele ameace sair.
Enfia-te pela janela caso ele esteja partindo...
Ou
Tenha mais classe e elegância e espere o próximo comboio.
Há sempre uma segunda chance na vida, meu amor.
Constatações astrais às vezes me desesperam.
Tua força-motriz é o que realmente importa.
A propósito...
O sol também queima.
E dá câncer de pele.
Dinheiro e Arte
Existem alguns conceitos cristalizados na mente comum do homem brasileiro.
Ousaria dizer até que se trata da mente comum do homem latino-americano. Ou ainda do homem deste planeta. Mas não tenho referências confiáveis para esta constatação.
O que interessa é que um caminho, um atalho, uma solução mais inteligente, pode ser visto como um desvio crasso de rota e isso é tão injusto!
Um artista que procura uma fonte de renda fixa para manter-se, embora não abdique do seu objetivo máximo, que é expressar seus talentos e comunicar-se através da arte, pode também trabalhar em uma instituição financeira que o remunera decentemente e que, além de tudo, ocupa apenas trinta horas de sua semana?
Adaptar-se à essa realidade é um desafio. É ir contra a maré. É declarar-se um não-hippie desapegado e um não-capitalista desenfreado.
É o caminho do meio.
Por que temos de ser sempre tão radicais?
Ousaria dizer até que se trata da mente comum do homem latino-americano. Ou ainda do homem deste planeta. Mas não tenho referências confiáveis para esta constatação.
O que interessa é que um caminho, um atalho, uma solução mais inteligente, pode ser visto como um desvio crasso de rota e isso é tão injusto!
Um artista que procura uma fonte de renda fixa para manter-se, embora não abdique do seu objetivo máximo, que é expressar seus talentos e comunicar-se através da arte, pode também trabalhar em uma instituição financeira que o remunera decentemente e que, além de tudo, ocupa apenas trinta horas de sua semana?
Adaptar-se à essa realidade é um desafio. É ir contra a maré. É declarar-se um não-hippie desapegado e um não-capitalista desenfreado.
É o caminho do meio.
Por que temos de ser sempre tão radicais?
sábado, 10 de janeiro de 2009
Da necessidade de se botar culpa e da necessidade de se culpar
Quanto à diferenciação dos termos...
Quanto mais sacrossanta se parece a culpa, mais sacrossanto se parece o imaculado. Quando a culpa é nossa?
Quanto mais sacrossanta se parece a culpa, mais sacrossanto se parece o imaculado. Quando a culpa é nossa?
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